MENDONÇA,
Onaide Schwartz; MENDONÇA, Olympio Correa.
O método sociolinguístico de alfabetização: consciência social silábica e
alfabética. In: Alfabetização: Método Sociolinguístico. Ed 3 – São Paulo: Cortez, 2009.
Nesta
primeira parte do capítulo os autores tratam da utilização da filosofia da
educação por Paulo Freire, ao invés de denominá-la como um método assim, eles
definem o conceito de palavra geradora que é uma palavra extraída do universo
vocabular do aprendiz e através de sua conscientização e decomposição são
geradas outras palavras. Ao se falar sobre método relaiconada com
alfabetização, sempre se tem uma rejeição relacionando-o com métodos utilizados
em outros séculos, aos quais crianças foram submetidas a processos incoerentes
e desvinculados de sua realidade, que tinham como intuito fazer com que elas
recebessem o ensino da leitura.
O
que não ocorre com o método Paulo Freire pois, apesar de terem passos a serem
seguidos não impede que o aprendiz reflita livremente sobre o objeto de
conhecimento, a escrita; ao invés disso, lhe propicia a reflexão e a crítica de
sua realidade, por meio da leitura do mundo, diferentes de outros métodos. O
método Paulo Freire possui quatro passos, são eles:
1°
Codificação: que é a representação de um aspecto da realidade expresso pela
Palavra Geradora, por meio de oralidade, desenho, dramatização, mímica, música
e de outros códigos que o alfabetizando já domina.
2°
Descodificação: trata-se do exame das Palavras Geradoras para extrair os
elementos existenciais nelas contidos.
3°
Análise e síntese: Engloba análise e síntese da Palavra Geradora, objetivando
levar o aprendiz a descoberta de que a palavra escrita representa a palavra
falada, levando o alfabetizando a entender o processo de composição e os
significados da palavra, por meio da leitura e da escrita.
4°
Fixação da leitura e escrita: esse passo faz a revisão da análise das sílabas
das palavras e apresentação de suas famílias silábicas através da ficha de
descoberta, formar novas palavras com significado e para composição de frases e
textos, com leitura e escrita significativas.
Após
a definição das técnicas do Método Paulo Freire que levam os aprendizes a se
alfabetizarem, os autores estabelecem a descrição do educador para
explicitá-los. Segundo os autores a Palavra Geradora é retirada do universo
vocabular da comunidade, conforme critérios de produtividade temática, fonêmica
e de teor de conscientização. E as primeiras palavrassão asseguradas a partir
de atividades orais, e o nível socioeconômico e cultural dos grupos sociais
condiciona a linguagem de seus membros.
É
necessário que no processo de alfabetização o alfabetizador ajude o aluno a
dominar o dialeto – padrão, tanto falado quando escrito, e o auxilie a
enfrentar dificuldades até chegar a
compreensão da linguagem escrita, para isso deve criar atividades didáticas
para superá-las, utilizando palavras pertencentes a sua cultura.Com isso,
percebe-se que o ponto de partida do Método Paulo Freire é a pesquisa da fala
da comunidade a ser alfabetizada, o que é necessário para a seleção de Palavras
Geradoras da comunidade, que depois serão submetidos à “codificação”, “descodificação”, e à
análise e síntese.
Na
terceira parte os autores irão demonstrar a importância da “codificação” e da
“descodificação” no Método Paulo Freire de Alfabetização os quais são passos
que garantem que a aquisição da leitura e da escrita seja significativa. De
forma que se o processo de alfabetização, qualquer que seja sua metodologia ou
proposta, exclui os passos da “codificação” e da “descodificação”, tornar-se-a
mecânico, porque tal método ou didática excluem a reflexão sobre a sociedade e
o momento histórico em que estão inseridos. Os autores ainda frizam que
considerando a faixa etária do aprendiz, o professor pode elaborar e realizar
diversas atividades, seguindo a estrutura do Método Paulo Freire, em seus dois primeiros
passos, partindo dos conhecimentos e experiências de seus alunos, que favoreçam
a capacidade de refletir e de se conscientizar, criando espaços de interação
social na sala de aula.
Os autores comecam a quarta e última parte do capítulo
afirmando que a linguística contribui para a formação do alfabetizador, porque
oferece fundamentos necessários à compreensão do processo de aprendizagem e
ensino da leitura e da escrita, e das estratégias para a aquisição dessas
habilidades. E demonstram as fases pelas quais a escrita passou até chegar ao
ponto atual: pictográfica, idegráfica, silábica e alfabética.
Na fase pictográfica escreviam-se através de desenhos, os
pictogramas. Já na fase ideográfica os desenhos foram simplificando-se e os
caracteres afastavam-se das figuras e aproximavam-se do que se tornaria
posteriormente as letras.
Na fase silábica é o momento de desvencilhamento do
desenho e da construção das futuras letras. A última fase da alfabetização á a
alfabética, onde o escritor leitor já adquiriu a consciência fonológica e
articula as correspondências de cada letra (grafemas) com seus respectivos
fonemas.
Mas para que o aluno seja alfabetizado é necessário que
duas questões sejam respondidas: o que a escrita representa e o modo de
construção dessa representação, com isso dá-se ínicio aos estágios onde o
aprendiz pensa que se escreve com desenhos, letras, rabiscos ou outros sinais
gráficos. No estágio seguinte, o nível silábico, faz-se com atividades de
vinculação do discurso oral com o texto escrito, da palavra escrita com a
palavra falada, enquanto na última fase que é a alfabética o aprendiz analisa
nas palavras suas famílias silábicas e seus fonemas, vogais e consoantes. Já
estão alfabetizados, porém irão ter conflitos sérios ao comparar sua escrita
alfabética e espontânea com a escrita ortográfica, em que se fala de um jeito e
escreve de outro.
E é com base na análise dos passos do Método
Paulo Freire que os autores afirmam que ele atende a todos os aspectos
considerados necessários para a alfabetização.
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